
Grafite com efeitos eletrônicos_ glaucy fisco_2008.
Começou por necessidade. O lixo era sua única fonte de alimento.
De vez em quando um pote de sorvete com a calda já grudada nas bordas e o creme entrando em decomposição.
De vez em quando um recipiente de alumínio com os ossos da carne que já foi e o arroz disperso em grãos grudados.
A diferença é que ele guardava as embalagens, sem saber pra que. Talvez para guardar história. Talvez para reforçar sua luta.
Um dia fez um chocalho com o pote de iogurte já fermentado e as pedras que foi colhendo pelo caminho.
Outro dia encontrou um violão quebrado, mas conseguiu refazê-lo com os fios de arame e a madeira que a loja de materiais de construção deixou do lado de fora.
Hoje ele ganha uns trocados ali na Praça da Sé.
Com seus instrumentos “catados” começou a compor. E toca para os que passam, para os que correm, para os que param.
O sorriso estampado embaixo da barba por fazer é sua marca e sua força. O lixo é lembrança e vitória.
Texto: Mariana Cetra
